
Leikeitio é uma cidadezinha muito fixe em frente ao mar, no norte de Bizkaia.
( já agora…”It is generally accepted that Bizkaia, the original Basque term, means something like 'mountain' or 'cliff'. It is a correlate of bizkar, meaning: 1. back, shoulders, 2. cliff, 3. roof structure, 4. leaning on “bizkarretik”….)
Foi um dos primeiros sítios que me recomendaram visitar quando cá cheguei. Repetiram-se papelinhos com este nome escrito, em vários cadernos e bolsos de casacos e calças :)
Tive a sorte de ter uma amiga do trabalho que é de lá. Um dia sugere: “ Olha lá pá...e se juntasse-mos algum pessoal e fossemos todos andar de canoa?”
Então lá fomos uns sete mais um guia, primeiro pelo rio e mais tarde pelo mar em frente à praia.
Eu parecia 1 puto...com 1 sorriso de orelha a orelha feliz da vida na minha canoínha a remar meio trapalhão, até que lá apanhei o jeito à coisa :)
Fiquei viciado e durante um ou 2 meses fazia quase todos os fins de semana 1h de autocarro para lá chegar...6as e sábados...umas 3 horinhas de cada vez...sozinho, tranquilo, a remar ao sabor da ondulação e da curiosidade.
Leikeitio tem uma ilha em frente à praia que quando a maré baixa pode-se ir até lá a pé, mas quando sobe vais a nado, de canoa ou de barquinho.
Fiquei bastante impressionado com a vida que havia nas costas da ilha...onde a luz do sol perde intensidade na rocha mas ganha-a na sombra que desenha no mar e que nos engole.
Ergue-se do mar um precipício de rochas negras e húmidas e há uma explosão de som com as ondas que rebentam ali ao lado e com as gaivotas que nos sobrevoam a caminhos dos ninhos lá em cima...
Ganhei um hábito saudável durante estes passeios. Cada vez que via algo de lixo no mar, lá ia eu a remar até lá para pescar a coisa e pô-la na parte de trás da canoa. Encontrei desde sacos de plástico variados, caixas de madeira, balões com formas de bonecos que se pareciam as famosas medusas “caravela portuguesa” ...que também as encontrei mas não as puz dentro da canoa.
São lindíssimas...têm uma parte que sai da água como se fosse uma mistura entre um saco de plástico meio submerso meio a ondular ao vento e entre 1 bola de sabão...transparente e com aqueles reflexos de uma oleosa e bonita cor violeta.
Submersas lá vão os seus fiozinhos/ patinhas...adornados com milhares de espinhos venenosos...
O gajo que trabalhava lá, onde se alugavam as canoas, ficava tão contente por me ver a chegar à praia com a canoa cheia de lixo que em vez de me cobrar pelas 3h só me cobrava por 1h. E dizia: “ Epá...nunca ninguém fez isso pá!”
Ficava com uma sensação agradável e ao mesmo tempo sentia que ele era o grande Eladio Climaco a felicitar um dos bombeiros da Figueira da Foz que iam aos “Jogos sem Fronteiras”... “well done kid!” hehe
Um dia decidi desafiar a sensatez e a sorte e levei a máquina dentro de um boião de plástico, estanque e com uma tampa de enroscar....tudo bué justo, o que tornava o simples objectivo de tirar a máquina lá de dentro numa tarefa carregada de adrenalina...
Parecia que cada vez que começava a desenroscar a tampa...o mar ondulava com o peito para fora hehe.
Com a pagaia sobre as pernas e a máquina abraçada numas mãos que se queriam firmes...o mar frustrava-me enquadramento atrás de enquadramento girando-me a canoa de um lado para o outro hehe...
Aqui está um barquinho típico da zona, bem fixe!
Chama-se “Eneko” que é o diminutivo do nome “Enokoitz” hehe. Epá não sei o que significa...só o conheço porque tenho um amigo (e grande personagem) que se chama assim...
Mas normalmente os nomes das pessoas costumam ter significados com origem na Natureza; como por exemplo: “Arkaitz” significa rocha e “Itsaso” que significa Mar :)
Um abraço ao Eneko pá!